Apesar de ser uma aliada nos primeiros meses de vida, o uso da chupeta faz mal quando usado de forma prolongada; entenda as consequências
A chupeta é um dos objetos mais comuns na infância e, ao mesmo tempo, um dos que mais geram dúvidas entre pais e rede de apoio. Afinal, chupeta faz mal ou pode ser usada sem preocupação?
A resposta não é simples e depende de fatores como frequência, intensidade e tempo de uso. Quando utilizada de forma controlada, a chupeta pode trazer benefícios temporários. No entanto, o uso prolongado pode causar alterações importantes na arcada dentária e no desenvolvimento da face da criança.
Entender os prós e contras é importante para determinar se a chupeta faz mal, assim como a idade limite recomendada e os possíveis impactos odontológicos para tomar decisões mais conscientes sobre a saúde bucal.
Por que a chupeta é tão utilizada?
A sucção é um reflexo natural do bebê, essencial para alimentação e conforto emocional.
A chupeta surge, portanto, como uma alternativa para atender essa necessidade, ajudando a acalmar, a reduzir o choro e a facilitar o sono, especialmente nos primeiros meses de vida.
Alguns estudos ainda associam o uso da chupeta durante o sono à redução do risco de morte súbita do bebê, o que reforça sua presença em determinadas fases. É possível afirmar que o problema não está no objeto em si, mas na forma e no tempo em que ele é utilizado.
Chupeta faz mal? Os prós e contras do uso
Benefícios do uso controlado da chupeta
Quando usada de forma adequada e por um período limitado, a chupeta pode trazer alguns benefícios, como:
- ajudar no relaxamento do bebê;
- melhorar a qualidade do sono;
- auxiliar no controle da ansiedade e do estresse;
- oferecer conforto em momentos desconfortáveis, como cólicas ou adaptação a novas rotinas.
Esses efeitos costumam ser mais relevantes nos primeiros meses de vida, quando o sistema emocional e neurológico ainda está em sua fase inicial de desenvolvimento.
Os riscos do uso prolongado
O uso contínuo, porém, levanta o alerta dos especialistas. A partir de determinado momento, a chupeta deixa de ser um objeto de conforto e passa a interferir diretamente no desenvolvimento da arcada dentária, da musculatura facial e até da fala.
Por isso, quando se discute se a chupeta faz mal, a resposta tende a ser afirmativa, especialmente se não houver limites claros.
Como a chupeta afeta a arcada dentária?
O impacto da chupeta na arcada dentária ocorre devido à pressão constante exercida sobre dentes, gengivas e ossos da face. Entre os principais problemas causados pelo uso prolongado, encontram-se:
Mordida aberta anterior
É uma das maloclusões mais comuns.
Os dentes da frente não se tocam quando a boca está fechada, criando um espaço que pode comprometer a mastigação, a fala e a estética do sorriso.
Pode ocorrer também a mordida cruzada ou outras alterações na relação entre os dentes superiores e inferiores.
Alterações na posição dos dentes
O uso contínuo pode empurrar os dentes para frente ou para os lados, favorecendo desalinhamentos e aumentando o risco de apinhamento dentário ou encavalamento no futuro.
Estreitamento do arco dentário
A sucção da chupeta pode alterar o formato do céu da boca, deixando-o mais estreito e profundo, o que impacta a respiração e a posição da língua.
Esses problemas nem sempre se resolvem sozinhos após a retirada do acessório, especialmente quando o hábito persiste por muitos anos.
Existe idade limite para o uso da chupeta?
De forma geral, profissionais recomendam que a chupeta seja retirada até os 2 anos de idade, preferencialmente entre 12 e 24 meses. Até essa fase, o organismo ainda apresenta grande capacidade de adaptação e muitas alterações são corrigidas naturalmente.
Após os 3 anos, o risco de impactos permanentes na arcada dentária aumenta consideravelmente. Quanto mais tarde a criança abandona a chupeta, maior a chance de precisar de tratamento ortodôntico no futuro.
Chupeta e o desenvolvimento da fala
Outro ponto importante é a relação entre a chupeta e a fala.
O uso além do recomendado pode limitar os movimentos naturais da língua e dos lábios, interferindo na articulação dos sons. Algumas crianças podem apresentar atrasos ou trocas na fala, especialmente quando o hábito é intenso e prolongado.
Embora nem toda criança que usa chupeta desenvolva problemas de fala, o risco aumenta quando o objeto está presente durante grande parte do dia, inclusive em momentos de interação e comunicação.
Como retirar a chupeta de forma saudável?
A retirada da chupeta deve ser feita com paciência e estratégia. Algumas dicas incluem:
- Reduzir o uso gradualmente, limitando a momentos específicos;
- Evitar oferecer a chupeta como primeira solução para qualquer desconforto;
- Substituir o hábito por outras formas de acolhimento;
- Envolver a criança no processo, de forma lúdica e positiva.
Um dos cuidados mais importantes é evitar punições ou retirada brusca, o que ajuda a reduzir a ansiedade e a resistência.
Quando procurar um dentista?
O acompanhamento com um dentista desde cedo é essencial para avaliar o desenvolvimento da arcada dentária e orientar sobre hábitos como o uso da chupeta. Caso haja sinais de mordida aberta, desalinhamento ou dificuldades na fala, a avaliação precoce faz toda a diferença.
Quanto mais cedo os problemas são identificados, maiores as chances de correção simples e menos invasiva.
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(Imagem: Pexels)


